MPT-RN integra mesa de debate sobre racismo feminino e trabalho doméstico não remunerado
Evento promovido pelo TRT-RN contou com a presença de profissionais e pesquisadoras da área do direito, raça e feminismo
Natal (RN), 07/11/2025 - O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte (MPT-RN) participou, na última quinta-feira (06), da mesa de debate “Quase da família – O racismo feminino e a escravidão contemporânea”, promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT21). A ação foi idealizada pelo Subcomitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade (SCEGRD) e pelo Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo, em parceria com a Escola Judicial do TRT-RN (EJud21). A iniciativa faz parte das ações em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
O evento contou com profissionais e pesquisadoras da área do direito, raça e feminismo, que abordaram questões referentes à exploração de mulheres negras na forma de empregadas domésticas com trabalho não remunerado. Entre os temas discutidos estiveram as dificuldades do reconhecimento jurídico do trabalho doméstico e os efeitos psicológicos do racismo e sexismo.
Em sua fala, o procurador-chefe do MPT-RN refletiu sobre suas experiências de vida sob uma perspectiva racial e discorreu sobre como, na atualidade, o trabalho de cuidado é marcado por desigualdades de remuneração baseadas em preconceito de raça e gênero.
“O trabalho de cuidar é jogado para as mulheres como se não fosse trabalho, de maneira que as pessoas que se dedicam a isso são pessoas que pagam duas vezes. Pagam porque deram seu tempo e porque não constroem um capital chamado previdência, riqueza e reconhecimento, porque nossa sociedade só reconhece aqueles que ganham dinheiro”, frisou Gadelha.
A juíza Lygia Maria de Godoy Batista Cavalcanti, que é coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e ao Tráfico de Pessoas e de Proteção ao Trabalho do Migrante na Justiça do Trabalho potiguar, falou sobre a interseccionalidade dos temas: “Há uma ligação entre a questão do trabalho doméstico e o trabalho escravo, que faz parte do nosso Programa e decidimos reunir essas vozes, tratando sobre esses temas com objetivo de, cada vez mais, conscientizar, enriquecer o debate e trazer essa realidade que precisa deixar de ser invisível”.
“Pensamos em juntar o Comitê de Gênero, Raça e Diversidade com o Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo para falarmos sobre a temática da empregada doméstica que é ‘quase da família’. Achamos que era um tema bem inovador, bem provocativo, mexe em muitas feridas da sociedade e que remonta a uma época de escravidão. Então, achamos que seria bacana falar sobre isso agora”, revelou o juiz Magno Kleiber Maia, coordenador do Subcomitê de Equidade de Gênero, Raça e Diversidade do tribunal.
Quase da família – O racismo feminino e a escravidão contemporânea
A mesa de debate foi composta pela escritora e poetisa "slammer" (competidora em batalhas de poesia falada) Bárbara Maria; pela professora da UFRN e antropóloga Andressa Morais; pela juíza Lisandra Lopes, titular da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró; pela advogada Aline Juliete; e pelo procurador-chefe do MPT-RN, Gleydson Gadelha. A mediação foi realizada pela juíza Lygia Godoy, gestora regional do Programa de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e pelo juiz Magno Kleiber Maia, coordenador do SCEGRD.
*Com informações e fotos da Ascom do TRT-RN
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